o evento

O Festival Arte Serrinha chega à 16a edição com o coração atento às contradições do nosso tempo e as mãos fincadas na terra.

“De quem é essa terra?” não é apenas uma provocação sobre questões de propriedade. Queremos falar de pertencimento, enraizamento, exclusão, pátria, fronteiras. E, para além, desejamos evocar a Mãe Terra – Gaia, Pachamama –, essa que nos alimenta, nos sustenta e nos acolhe. Que é de todos e não é de ninguém. A terra da qual nos distanciamos perigosamente e agora, ao enxergar a vertigem, pelejamos para novamente ancorar.

Na Serrinha, com a liberdade  que a arte nos concede – e também com a responsabilidade que a liberdade nos exige –, procuramos tecer e reconstruir, simbólica e concretamente, a teia da vida.

O Festival acontece de 03 a 30 de julho.

Inscrições para as oficinas estão abertas. Saiba mais clicando aqui

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Sobre o Festival

O Festival Arte Serrinha acontece todos os anos desde 2002 durante três semanas do mês de julho no bairro da Serrinha (Bragança Paulista, SP).

Propõe estabelecer um momento de celebração e de imersão artística na natureza em oficinas, vivências, residências, shows, performances, palestras, teatro, cinema e exposições de arte.

O festival é uma espécie de laboratório a céu aberto de produção, pesquisa e experiências artísticas, em que o fazer e o aprendizado encontram-se intimamente relacionados. Tem entre suas principais razões de ser o cuidado e a preocupação com a região da Serrinha. Isso está impregnado na essência do movimento: seus criadores compartilham o sonho de estabelecer relações mais humanas, criativas e respeitosas entre as pessoas, as culturas e as paisagens.

O núcleo irradiador de todos os acontecimentos localiza-se em duas terras vizinhas e irmãs: a Fazenda Serrinha, espaço de convivência e de experimentações artísticas e ambientais, e o Sítio Santo Antônio, que abriga o Teatro Rural e o Galpão Busca Vida, lugares que acolhem a música, o teatro e a dança em suas diversas manifestações.

 

Trecho do livro Arte Serrinha

O verdadeiro mundo é arte. A arte é o desconhecido. Ela sussurra nossa pertença ao ser, celebra a vida. Assim a arte quer ser vivida: como algo que não deveria cessar nunca. Mas ela cessa. E ficamos com o problema de saber como viver quando a arte acaba. Feito um regador, o Festival de Arte Serrinha equacionou a questão da vida após a morte da arte borrifando arte nas coisas da vida.

Assim como as sementes, que vêm e vão levadas pelo vento e pelos animais, ou são deliberadamente espalhadas pelo ser humano, e, ao se fixar, participam da recriação do mundo, na Serrinha a arte em todas as suas expressões é incubada e processada, retornando na forma de novas e belas harmonias.

Uma floresta devastada só voltará à sua condição inicial de abundância caso a terra que um dia ocupou deixe de ser perturbada. De forma análoga, acontecendo no campo, retirado da correria da vida na cidade, o festival proporciona uma pausa na rotina contemporânea – um silêncio criativo – e um mergulho em busca de valores essenciais. Sem interferências, sem perturbações, a Serrinha abre-se para a criação.

Transforma-se o espaço, mudam as pessoas – e o mundo. Em uma década de festival, o alcance físico parece pequeno, mas o eco é profundo. As gotas borrifadas pelo regador da Serrinha evaporam e voltam como o orvalho, renovando nosso alívio a cada dia. Aqui se descobre o que é evidente, embora não sem espanto: que a vida é arte.