o evento

Em 2019, o Festival Arte Serrinha chega à maioridade em um mundo estranho àquele do início, em 2002. A Serrinha, hoje, cada vez mais envolvida pela natureza, também está na rede, ao vivo e a um clique de distância de qualquer povoado do planeta.

Aqui e em toda parte, o resguardo da natureza e da ruralidade não escapam mais à torrente incontida de informações, que dificulta o discernimento e a reflexão sobre o que acontece à nossa volta.

“Olho no olho”, tema da décima oitava edição, é um chamado de volta à terra, à experiência não mediada, ao estado meditativo e de criação.

O festival acontece entre os dias 13 e 28 de julho e tem mais uma vez a intenção de ser um espaço de encontros e experimentações artísticas.

Realizado numa região de mananciais aos pés da serra da Mantiqueira paulista, o evento busca aproximar pessoas da natureza e das manifestações mais significativas da cultura contemporânea.

O Festival Arte Serrinha também segue acreditando no papel da cultura no desenvolvimento do pensamento livre no Brasil. Cultura não é adorno, mas uma chave para que possamos nos fortalecer como indivíduos e como coletividade.

Veja a programação clicando aqui

 

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O festival acontece todos os anos desde 2002 durante três semanas do mês de julho no bairro da Serrinha (Bragança Paulista, SP).

Propõe estabelecer um momento de celebração e de imersão artística na natureza em oficinas, vivências, residências, shows, performances, palestras, teatro, cinema e exposições de arte.

O festival é uma espécie de laboratório a céu aberto de produção, pesquisa e experiências artísticas, em que o fazer e o aprendizado encontram-se intimamente relacionados. Tem entre suas principais razões de ser o cuidado e a preocupação com a região da Serrinha. Isso está impregnado na essência do movimento: seus criadores compartilham o sonho de estabelecer relações mais humanas, criativas e respeitosas entre as pessoas, as culturas e as paisagens.

O núcleo irradiador de todos os acontecimentos localiza-se em duas terras vizinhas e irmãs: a Fazenda Serrinha, espaço de convivência e de experimentações artísticas e ambientais, e o Sítio Santo Antônio, que abriga o Teatro Rural e o Galpão Busca Vida, lugares que acolhem a música, o teatro e a dança em suas diversas manifestações.

Além do Festival, o Arte Serrinha inclui um núcleo educativo, o parque de instalações da Fazenda Serrinha, o festival de música Serrinha Instrumental e uma expedição que leva a experiência da Serrinha para diversos locais do país.

 

Trecho do livro Arte Serrinha

O verdadeiro mundo é arte. A arte é o desconhecido. Ela sussurra nossa pertença ao ser, celebra a vida. Assim a arte quer ser vivida: como algo que não deveria cessar nunca. Mas ela cessa. E ficamos com o problema de saber como viver quando a arte acaba. Feito um regador, o Festival de Arte Serrinha equacionou a questão da vida após a morte da arte borrifando arte nas coisas da vida.

Assim como as sementes, que vêm e vão levadas pelo vento e pelos animais, ou são deliberadamente espalhadas pelo ser humano, e, ao se fixar, participam da recriação do mundo, na Serrinha a arte em todas as suas expressões é incubada e processada, retornando na forma de novas e belas harmonias.

Uma floresta devastada só voltará à sua condição inicial de abundância caso a terra que um dia ocupou deixe de ser perturbada. De forma análoga, acontecendo no campo, retirado da correria da vida na cidade, o festival proporciona uma pausa na rotina contemporânea – um silêncio criativo – e um mergulho em busca de valores essenciais. Sem interferências, sem perturbações, a Serrinha abre-se para a criação.

Transforma-se o espaço, mudam as pessoas – e o mundo. Em uma década de festival, o alcance físico parece pequeno, mas o eco é profundo. As gotas borrifadas pelo regador da Serrinha evaporam e voltam como o orvalho, renovando nosso alívio a cada dia. Aqui se descobre o que é evidente, embora não sem espanto: que a vida é arte.